sábado, 15 de setembro de 2007

Cazuza e Fernandinho à beira-mar (ou... Siro Darlan, você está enganado) - Helena

(“ A única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não” Siro Darlan)


Ambos foram vítimas do abondono.
Abandono compensado por mimos,
Abandono dissimulado em maus tratos.
Um comprava calças e rasgava-as antes de usar.
Outro ganhava calças que remendava para vestir.
Um visitava o mundo do outro, pela porta da frente.
Ali, comprava motivos para viver.
Outro invadia o mundo do Um, pelo fundos,
Lá, roubava o motivo da sobrevivência.
Um, poeta.
Outro, personagem do poeta.
Um buscou e alcançou a fama
Outro foi alcançado por ela.
Um, idolatrado por muitos , hostlizado por alguns.
Outro odiado por quase todos, amado por poucos.
Para Um, o palco era a sua praça.
Para Outro a praça era o seu palco.
Ambos cativos na solidão superpovoada do abandono.
Um, por estar ocupado vivendo, se distraiu e não conseguiu sobreviver.
Outro não teve tempo de viver por estar atento, ocupado sobrevivendo.
De Um, podia-se ouvir o nome à beira-mar.
De Outro, podia-se ouvir Beira-mar no nome.
Como tantos outros Agenores e Fernandos

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

(Fernando Pessoa preferiu escrever isso antes de mim, por que sabia que, mesmo sentindo, eu não teria capacidade de fazê-lo)

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.


Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.