terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Que o acaso nos proteja agora, e na hora da nossa sorte... Amém! - Helena

O acaso costuma me jogar em lugares muito legais, como aconteceu quando conheci um blog chamado Notas Musicais. Eu estava navegando pela net, e me deparei com um texto crítico extremamente pertinente a respeito do desastre sob os refletores, que foi o show "Dois Quartos", estrelado pela cantora Ana Carolina, onde, além de cantar algumas músicas paupérrimas em melodia, harmonia e com letras patéticas, ela usou como fundo a exibição de uma filme pornô, onde lésbicas ostensivamente se chupavam. A crítica que li foi extremamente coerente com a arte e o bom senso, mas alguns comentários conseguiram ser mais patéticos do que o próprio show. Mauro, parabéns pelo seu trabalho! Quanta coisa boa a gente encontra por aí... Em primeiro lugar, quero agradecer à Ana Carolina por ter tido a infeliz idéia de fazer esse show-zinho medíocre, pois, graças a ela, eu encontrei esse blog e adorei conhecê-lo. Concordo com essa publicação, em genêro, número e grau. Li todos os comentários e gostaria de dizer alguma coisa a respeito. a) A Madonna realmente se apresentou com porno-performances em alguns dos seus shows, mas o público foi antecipadamente avisado, pois pornografia é algo eletivo, que assiste quem está a fim e na companhia que mais lhe convier. Já Ana Carolina impôs a pornografia a um público que pagou para ouvir música cantada (mesmo que a qualidade da música seja duvidosa). b) Também, discordo da performance que Gerald Thomas criou para Gal, no show em que a cantora mostrou os seios, ao final. Mas, vejam bem: Ao final do show! O show foi conduzido de forma séria e musical. Na mais perfeita arte. Mas, ainda assim, achei extremamente infeliz essa atitude de Gal. c) Quanto ao comentário que tenta defender a performance de Ana, alegando um possível ‘falso moralismo’ da sociedade burguesa etc. blá blá blá... Isso virou clichê. Já foi o tempo desse tipo de postura. Cantor é cantor... cantor canta... Eu vou a um show de cantor para ouví-lo cantar. Se ele quiser se candidatar a ser divulgador de pornografia, ou de aulas de tricô, seja o que for, que entre na porta ao lado, por que ali, naquele palco, ele, em tese, se propôs a cantar, e eu paguei para assistir tão somente a isso. Pornografia eu assisto na minha casa, com os meus amigos sacanas, e, se quiser, eu ainda conto no dia seguinte pra todo mundo no trabalho. Nada tem a ver com moralismo, e sim com adequação. Essa de artista querer chocar, e jogar coisas na cara da ‘sociedade falida moralista hipócrita’ e blá blá blá, isso é coisa de adolescente dos anos 60. Já era. Está fora de moda. É ridículo. d) Isso que Ana Carolina fez não foi ousadia, foi patético. Ousadia seria fazer um show de cara lavada, sem fru-frus, apenas ela, os músicos e o microfone. Portanto, não vamos tentar maquiar o desastre que foi esse show. Um show construído na vã tentativa de desviar a atenção do público de três pequeninos detalhes: Não havia talento, não havia arte, não havia show. Em vista disso, acredito que o público tivesse plenos direitos de pedir de volta o dinheiro gasto, alegando abuso da boa-fé por parte do artista. Na minha opinião, e creio que na sua também, Mauro, quando o cantor não dá mais conta de sustentar um talento forjado pela mídia, com o objetivo de retorno financeiro imediato, ele tem mesmo que encher linguiça no seu show, com essas perfumarias de camelô. Elis Regina, Barbra Streisand, Ella Fitzgerald, Whitney Houston, Marisa Monte, Zizi Possi, Jessé, Milton, Frank Sinatra, Sting, Phil Collins, Chico Buarque, Tom Jobim, Djavan, Caê, Gil, e tantos outros, nunca precisaram fazer esse tipo de coisa, por que existe algo chamado talento do artista, o que, no caso em questão, precisou ser compensado por acrobacias de palco, e outras alegorias típicas de quem não deveria nunca ter estado no mundo da arte, e sim, no mundo do comércio artístico. Ainda bem que muitos preferiram ir com suas mães ao show da Ná Ozzetti. Que voz! Que arte! Que prazer! Certamente, voltaram inebriados, entorpecidos, bem melhor do que serem obrigados a assistir a um filme pornô de 1950 (como alega a cantora), ou da idade da pedra, tanto faz, que tem como fundo, algumas músicas pobres, falidas, com letras que qualquer menino faria no banheiro de frente à capa da playboy. Coisa de punheteiro de chuveiro. Imagina! Levarem suas mãezinhas para uma furada dessas... que constrangimento! O bom gosto nos livra de cada coisa…

O Dia em que a Geladeira Chegou - Helena

Você não acredita em Papai Noel? Pois, saiba, ele existe, ou, melhor, eles existem, em sua cidade mesmo. São centenas deles, com os mais variados trajes. Seus trenós, de tamanhos também variados, são caminhões, que, em suas carrocerias, levam todo tipo de presente: sofás, geladeiras, computadores, bicicletas, camas, armários, tapetes, fogões, banheiras, lava-roupas, secadoras, portas, janelas, televisores. São casas completas, que todos esperam chegar, sempre com a corrosiva ansiedade de uma criança, em véspera de Natal.
Quem nunca, olhando pela janela, ou atendendo o interfone, ou até mesmo do portão, gritou, mesmo que para si mesmo, o sonoro e familiar 'chegou'? Experimentando tremor, suores e palpitações da criança diante do presente. A família, se houver, como soldados enfileirados, sem saber o que fazer com as mãos, aguarda ansiosa a chegada do seu Papai Noel.
É um ritual. Acontece sempre da mesma forma: Ele traz a nota, confirma o destinatário, mesmo sabendo, pelo sinal afirmativo das cabecinhas que o olham, que, com certeza, é ali o local da entrega. Neste momento, ele é atingido pelos mais variados olhares de ansiedade e expectativas, e bocas tentando conter o sorriso, e braços e pernas fingindo naturalidade, quando, na verdade, queriam gritar, pular e abraçar, de tanta felicidade. Feito isso, o Papai Noel volta ao caminhão, para pegar o presente, que, às vezes, é muito grande, e exige ajudante para transportá-lo. E chega o grande momento, quando é feita a tradicional pergunta:
– Onde é para colocar?
Na maioria da vezes, quase como um ritual, o 'altar' já está devidamente limpo e preparado.
Stop. Congele a imagem. Agora, uma panorâmica. Papai Noel, observe o olhar daqueles que, por dias, esperaram, ansiaram por sua chegada. Não é mais possível esconder o brilho do olhar, conter o sorriso que se escancara nos lábios, nem manter parados pernas e braços que conduzem o corpo numa estranha valsa em torno do presente e seus carregadores. Esse é o momento singular, onde pairam no ar, felicidade e alívio. Os entregadores largam ali a mercadoria pesada que vinham trazendo, com o certo sentimento de missão cumprida. Enquanto os espectadores experimentam um privativo Natal, com direito a Ano Novo. Pois, naquele momento, ocorrem mil e umas promessas e juras, expectativas de uma vida nova a partir dali.
Com certeza, se os entregadores, quando saíssem, ficassem atrás da porta, poderiam ouvir os pulos e gritos infantis daquelas mesmas pessoas que, ao recebê-los ainda com a nota, tentavam se manter sérias. Fico imaginando o quanto deve ser divertido e gratificante ser Papai Noel o ano todo, e, principalmente, poder estar, cara-a-cara, com os que recebem seus presentes. Não há sinos tocando, mas, se eles tentarem, poderão ouvir corações entoando hinos de alegria. É esse o Natal de todo dia, onde tantos 'Papais Noéis' deixam, nas casas de outras tantas pessoas, presentes, que, muitas vezes, não terão em suas próprias casas. Mas, talvez, se olharem fundo nos olhos daqueles que os recebem, levarão consigo um presente, e mais outro, e mais outro, e mais outro, e mais outro... até que o caminhão esteja vazio, para que receba nova carga pra mais um dia de Natal.
Sim, 'Papais Noéis' existem. E pronto!

Os Primeiros Natais - Helena

O dia amanhece, e eu me levanto com a velha e costumeira sensação de que é o Primeiro Natal. Até hoje nunca entendi porque, pra mim, todo ano eu tenho essa mesma impressão, ainda que seja o mesmo lugar, as mesma pessoas, os mesmos rituais, sempre a mesma comida... o peru! Gente, o peru! ”... Peru de Natal Peru de Natal é tão fácil de fazer vem temperado e pronto pra assar lá lá lá...”. A mesma propaganda! Nao pode ser ! Tudo tão igual, e eu pulo da cama como uma criança que alivia a úlcera da ansiedade natalina e diz pra si mesma: “Enfim, é hoje”. Sim é hoje! É hoje que comerei a mesma comida no mesmo lugar com as memas pessoas as mesmas conversas e musicas... ou não? Não! Não dessa vez! Dessa vez é o primeiro sim! Com certeza!

Eu sinto dentro de mim eu percebo nas pessoas, nos aromas, nos ruídos... é real o sentimento de estar vivendo isso tudo pela primeira vez... É real essa predisposição em renovar “o igual,” em tornar impar cada experiência que se repete igualzinha a cada ano. É verdadeiro o desejo de ver “o novo”, “no velho”. Sim é o espírito da renovação que se precipita dentro de cada um de nós trazendo em si, a esperança, a coragem, e a determinação em recomeçar a continuação de nossas vidas no próximo ano que virá. Sim! Definitivamente é o Primeiro Natal, foi o Primeiro Natal, e será o Primeiro Natal e ainda que lograsse existir um que fosse o derradeiro, ainda assim, este seria o Primeiro Natal!

Desejo a voces todos um Natal Especial - o primeiro de uma série de tantos outros primeiros que virão. E que a cada um deles, seu coração, mais e mais, possa tocar o espírito de renovação e usufruir de todas as suas benesses. Espero, também, que tudo transcorra no mais absoluto sucesso com sua saúde.





Um Beijo da Helena