Eu escrevo para quem?
Voltei hoje a esse blog onde, mais me escondo do que me exponho.
Voltei por que reparei, por acidente, que havia um novo comentário, nos meus textos.
Gozado como as coisas são! De repente lembrei que sou escritora. De fato, não me acostumo com essa idéia de ser escritora, mas você me lembrou disso postando no meu blog. Tenho o hábito de me perder em meus pensamentos com tanta dedicação que minhas mãos e disposição não conseguem acompanhar escrevendo. Outro dia eu estava pensando no que Adriana Calcanhoto falou na letra de sua música "Esquadros": "Eu canto para quem?". Eu poderia dizer o mesmo "Eu escrevo para quem?", ou, "Eu escrevo por que", ou, "Eu escrevo pra que? "... Tive uma grande amiga (ela era pequenina no tamanho, mas grande demais pro meu coração) ela tentou me desvendar... Tarefa árdua por certo, pois sempre essa tentativa nos conduz para o julgamento ou, pior, para o veredicto. Talvez ela, por amor, tenha tentado acompanhar minha loucura e deixou de lado a dela, e posso garantir: loucura abandonada vira um mostro que, na maioria das vezes, devora tudo ao seu redor. Sim ela seguiu a minha loucura e se perdeu e não se achou ali. E, perdida, com medo, desesperada, não conseguia voltar... e me culpou por isso. Retornando às pressas pra sua própria loucura ela me entrega os resultados de sua aventura, me apresentando a uma outra dimensão de mim mesma, fruto da sua própria imaginação, e criado na experiência insana de tentar deixar de ser ela. Sim, ela deixou de ser ela, pois precisou largar sua pesada bagagem pelo caminho enquanto me seguia tentando me acompanhar em círculos, por que loucura caminha em círculos. Foi quando de repente ela percebeu que girava insanamente num carrossel que não era o dela e, por isso, estava incapacitada de desligar pra descer e tomar ar. Ela insistiu em permanecer na roda, tenho certeza, toda vez que o giro lançava-a (lançava-a que palavra ridícula! eu poderia escrever lançava ela), ela pulava de volta na tentativa recursiva de desligar, e examinar meticulosamente as partes da engrenagem. Por fim, cansada e frustrada, antes do seu salto final, deixou uma granada de sentimentos contidos na esperança de destruir de vez o carrossel, e jamais correr o risco de tentar voltar. Os danos da explosão não foram capazes de parar a roda, os danos não atigiram o eixo, que sou eu... e a roda continua girando e girando e girando e girando e girando ... até quando?