Eles”, antes de tudo, querem se amar.
À revelia do que os “mantenedores da moral” possam pensar, “eles” querem se amar.
À revelia do que os “mantenedores da moral” possam dizer, “eles” continuam querendo se amar.
À revelia do que os “mantenedores da moral” possam fazer, “eles” vão insistir em se amar.
E esse amor vai além de qualquer prática sexual, seja ela homossexual, ou heterossexual. Esse amor é tanto, ou mais intenso, do que aquele que o “mantenedor da moral” possa sentir por seu cachorro.
Os afagos que “eles” trocam não são muito diferentes dos afagos que os “mantenedores da moral” fazem em seus gatinhos, cachorros, ou cavalos,
O olhar de ternura não é muito diferente do olhar que os “mantenedores da moral” dirigem aos seus passarinhos, papagaios, e cachorros.
E ninguém sai por aí matando pessoas com seus animaizinhos.
Mas os “mantenedores da moral” não querem que eles se amem, pois, para isso, teriam que reorganizar seus sistemas de valores, e até mesmo a “moral”, que procuram manter, teria de ser revista e refeita. E, se existe algo que “mantenedores de moral” são totalmente incapazes de fazer é a ruptura com paradigmas e a consequente evolução.
A coisa estava tão confortável, até então, não é?
E agoram aparecem esses “dois” querendo se amar. Não pode! Isso é anti-natural, afinal, os “dois” pertecem ao mesmo sexo!
E os “mantenedores da moral” tremem, diante desta enorme ameaça que paira sobre suas cabeças.
Sentem medo… sim, medo. Uma coisa que temos que lembrar é que os “mantenedores da moral” são frágeis demais, em relação à verdade, ao real… e não pode haver nada mais verdadeiro e real do que o amor entre duas pessoas, sejam elas de qualquer sexo, nacionalidade, raça, ou credo.
Chega a ser folhetinesco que esse mesmos “mantenedores da moral” já tenham expressado, no decorrer dos tempos, o seu repúdio por algum tipo de minoria. Esse repúdio nada mais é do que o retrato claro da necessidade de afirmação de poder que esses “mantenedores da moral” carregam, através dos séculos, pois não é aceito, no mundo da moral, que alguém afirme seu pretenso poder, se não for em prol de alguma causa. Que causas seriam essas? Contra os cristãos? Contra os judeus? Contra os negros? Sempre alguma estúpida causa que desse ao “mantenedor da moral”, a ilusão de estar envolvido numa luta qualquer, que fosse validada por algum, mais estúpido ainda, estatuto. Mandaram poetas, filósofos e cientistas pra fogueira, judeus para fornos, negros ao mar, e ainda não aprenderam nada, nem vão aprender, pois uma das características desses “mantenedores da moral” é a incapacidade de aprender, ou melhor, é a total incapacidade, metafisicamente falando. Sim, a incapacidade leva os “mantenedores da moral” a se esconderem atrás de causas mais estúpidas e insanas do que a tentativa infantil de parar o vento com as mãos.
Por que, no final “eles” vão continuar querendo se amar e… Vão se amar!
É interessante ver como muitos dos “mantenedores da moral” precisam de crachás, pra se sentirem com um mínimo de poder, e começar a patética luta, e nada melhor do que um crachá religioso.
Mas uma pergunta paira no ar:
Estariam Jesus, Maomé, Alah, Jeová e tantos outros preocupados com genitálias e modo de uso?
Será que não haveria motivos mais sérios e válidos, pra manter essas entidades religiosas ocupadas?
Será que o amor entre pessoas de mesmo sexo é mais merecedor de repúdio do que o funcionário de vai pra casa levando canetas, lápis, borracha, do escritório onde trabalha, pra distribuir aos filhos?
Ou mais revoltante que patrões que assediam empregadas, para obter favores?
Ou mais repugnante do que uma rapaziada que queima índio?
Ou mais inaceitável do que exércitos que invadem cidades, atacando e matando inocentes?
Mais lastimável do que a fome que mata centenas de milhares? Ou a seca que submete o homem a uma sub-vida?
Mais alarmante do que os desastres ecológicos, que já mataram tantos, e deixaram tantos outros dependentes da caridade mundial?
Meu Deus!!!
Onde se localiza o cérebro desses “mantenedores da moral”, que ocupam suas vidas, lutando e agredindo pessoas, baseando-se nas atividades de bucetas, cus, ou caralhos???
Sim!! Esses bundões, “mantenedores da moral” entrarão pra história, para que sejam submetidos a toda espécie de escárnio, enxovalho e risadas das novas gerações, assim como sofrem hoje seus ancestrais sociais “antigos mantenedores da antiga moral”.
Lucia Helena Antoun
Você provavelmente chegou até aqui através das mãos do acaso. Talvez não fique nem mesmo o tempo suficiente para ler essa mensagem...
domingo, 21 de julho de 2013
DESCOMPASSO
...Sabe? Eu to entendendo que minha alma segue algum tipo de padrão. Assim, como o ano, que é obviamente traçado pelas linhas limítrofes de cada estação. Mas as estações do ano tem sempre o mesmo tempo de duração, e se repetem em ciclos. As minhas estações da alma, elas acontecem, sem qualquer sentido previamente traçado, e sem qualquer lógica de repetição. Não dá para preparar agasalhos, ou até mesmo arar a terra, para plantação, e, consequente, colheita. É tudo acontecendo, seguindo um sentido totalmente sem sentido. Estação de escrever, estação de dormir por dias seguidos, estação de cantar, estação de comer, estação de ler, estação de assistir filmes, estação de sentir intensamente. Impossível tentar escrever, durante a estação de cantar, como também é impossível ler, na estação de dormir, pois a única coisa que sentirei vontade de fazer é dormir. Estou fragmentada nessas estações randômicas da minha alma, que podem durar dias, ou até mesmo algumas horas. Não posso sequer me preparar para o inverno, pois pode ser que nem venha, ou até mesmo que venha o verão, ou alguma estação da qual nunca ouvi falar, ou nunca supus existir. O telefone toca, e estou preferindo falar dessas estações, mas preciso atender, pois uma das particularidades de minhas estações é serem totalmente desintegradas pelo toque telefônico da realidade. Vou até a realidade ver o que querem mas antes, pego o meu guarda-chuva (pode ser que, quando eu volte, já seja outra estação, e detesto me molhar.)...
Helena
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