Dessa forma, a manifestação paira sob a atmosfera do 'foi bom não foi?', ou seja, a aderência, dos que assistem é de 100%, mas somente enquanto dura. Recolhido o material de manifestação, ocorre o fenômeno do recolhimento do desejo dos participantes. Tudo acaba, então, num barzinho, onde os integrantes e organizadores se encontram para beberem os grandes momentos da manifestação, e comerem a ilusão, a esperança de que tenha adiantado alguma coisa.
Há países em que uma manifestação desse tipo é capaz de mobilizar, não só a opinião publica, como também, a decisão dos governantes, motivada pelo constrangimento, mas no Brasil, outros expedientes são necessários. Quais? Não sei, mas sei que não são esses. Quem acaba ganhando, com isso tudo, são as papelarias, com vendas de cartolinas, hidrocores, e outros.
Sempre fui da opinião de que, para coisas desse tipo, deveria ser usada mais agressividade, mais contundência. Esses atos não podem pairar na esfera do sutil. Eventos assim não entram na memória do país, apesar de perdurarem na lembrança do mesmo. Há que se criar um grupo forte de combate, não à criminalidade urbana, mas sim, à criminalidade política, onde governantes prometem a segurança, e, por ter faltado a segurança, eles então passam a prometer providências, e essas nunca acontecem. Sendo assim, no âmbito do preventivo e do corretivo, nada é feito. Só um sentimento faria o gorvernante de fato investir em suas promessas: o medo. Resta a pergunta: Como amedrontá-los?