( a respeito do seu comentário no meu texto postado em 22 de abril de 2009)
Creio meu amigo, que a loucura esteja presente em toda e qualquer criatura humana. O que difere de uma pessoa para a outra, é o quanto ela já rompeu com aquela parte que chamam de "sanidade". É fato que quando ela romper definitivamente ela nunca mais falará a respeito de sua própria loucura , visto que este será seu estado natural, não lhe restando a crítica "sã. A questão, na minha opinião é claro, não é o quanto somos loucos, mas sim o quanto ainda temos de "são" para administrarmos satisfatoriamente, essas nossas duas faces, e nos tornarmos, ao menos, toleráveis socialmente. Quanto ao "enaltecer a loucura", citado no seu comentário, isso vai depender das lentes que se usa quando se lê um texto. Onde você enxergou "enaltecimento" eu escrevi “dor”. Não falávamos ali sobre "loucos" vítimas de transtornos patológicos. Falávamos, sim, de loucuras internas. Loucuras internas são aquelas que persistiram por não conseguirmos dominá-las no árduo combate que travamos durante a construção de nossas personalidades. Durante o processo de nossa formação, nossas figuras parentais, nos injetam doses maciças de algo que não somos nós e, durante esse processo, precisamos estar todo o tempo em conflito entre o “eu” e o “eu do outro”. É claro que não saímos impunes dessa batalha! Criamos um mundo de fantasias para que possamos transitar entre essas duas dimensões do “eu”. A essas fantasias dou o nome de “loucuras”. Aquilo que muitas vezes rotulamos em outra pessoa como um “desagradável comportamento”, muitas vezes é um dos aspectos da sua (dela) loucura. Quando, por amor, tentamos nos adequar ou, até, adotarmos idêntico comportamento (que não é naturalmente nosso), pode vir a ocorrer aquilo que menciono no meu texto, que foi a razão do seu comentário postado. Confesso que estranhei a sua escolha nos adjetivos usados em seu comentários. Mais pareciam comentários de alguém indignado com algo tão simples e comum. Talvez sua própria “loucura” seja totalmente avessa e esse tipo de uso do termo, julgado por você, como algo “clichetizado”, quando sua crítica poderia ter, de minha parte, o mesmo adjetivo. Mas sou obrigada a concordar quando você fala do que há de poético nesse tipo de loucura, mas até mesmo sobre isso eu gostaria de dizer que, mais uma vez na minha opinião, não existe poesia sem loucura nem a loucura (seja ela qual for) sem poesia, pois ambas se encontram emaranhadas entre si no nosso mundo interno chamado sensibilidade. Talvez tudo que falei seja clichê, ou talvez sejam clichês seus comentários sobre tudo o que falei, mas, parafraseando o louco-poeta, William Shakespeare, “Há mais loucura no mundo ‘são’ do que supõe a sua ‘sã’ filosofia”
Com carinho
Helena
Obs.: acho que já podemos dizer que retornamos às nossas trocas (risos carinhosos)
Com carinho
Helena
Obs.: acho que já podemos dizer que retornamos às nossas trocas (risos carinhosos)