domingo, 21 de julho de 2013

DESCOMPASSO


...Sabe? Eu to entendendo que minha alma segue algum tipo de padrão. Assim, como o ano, que é obviamente traçado pelas linhas limítrofes de cada estação. Mas as estações do ano tem sempre o mesmo tempo de duração, e se repetem em ciclos. As minhas estações da alma, elas acontecem, sem qualquer sentido previamente traçado, e sem qualquer lógica de repetição. Não dá para preparar agasalhos, ou até mesmo arar a terra, para plantação, e, consequente, colheita. É tudo acontecendo, seguindo um sentido totalmente sem sentido. Estação de escrever, estação de dormir por dias seguidos, estação de cantar, estação de comer, estação de ler, estação de assistir filmes, estação de sentir intensamente. Impossível tentar escrever, durante a estação de cantar, como também é impossível ler, na estação de dormir, pois a única coisa que sentirei vontade de fazer é dormir. Estou fragmentada nessas estações randômicas da minha alma, que podem durar dias, ou até mesmo algumas horas. Não posso sequer me preparar para o inverno, pois pode ser que nem venha, ou até mesmo que venha o verão, ou alguma estação da qual nunca ouvi falar, ou nunca supus existir. O telefone toca, e estou preferindo falar dessas estações, mas preciso atender, pois uma das particularidades de minhas estações é serem totalmente desintegradas pelo toque telefônico da realidade. Vou até  a realidade ver o que querem mas antes, pego o meu guarda-chuva (pode ser que, quando eu volte, já seja outra estação, e detesto me molhar.)...
Helena

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