"Não havendo slide, cartaz, retro-projeção, ou qualquer outra ilustração para a qual ele apontasse, era para os olhos do professor que eu estaria olhando durante toda a palestra…"
É, no mínimo intrigante o fato de, sempre dirigirmos nosso olhar para os olhos da pessoa com quem interagimos. Porque, sim, é fato que só estaremos olhando o outro se estivermos olhando para seus olhos, mesmo sabendo que resta uma porção imensa de corpo para ser olhado. Se eu me dirijo ao meu cãozinho, seus olhos estarão cravados nos meus. Se o repreendo, ele imediatamente me olhará nos olhos, e, envergonhado, desviará o olhar exatamente dos meus olhos. Um bebê sendo embalado, pode correr seu olhar pelo rosto da mãe, mas logo se fixará novamente nos olhos dela. Até os doentes que não podem mais falar ou gesticular não olharão outra coisa senão seus olhos, quando você se aproxima de seu leito. Um palestrante, lá longe no palco, discorre sobre algum tema e você, na platéia, estará olhando seus olhos. Quando assistimos um filme ou programa ou peça de teatro, passamos nosso olhar na cena o tempo todo, mas o repousamos nos olhos da personagem que detém a fala. Onde isso está determinado? Quem foi que ensinou ao bebê ou ao cachorrinho, que se deve dirigir o olhar para os olhos de quem interage com eles? Que tipo de energia poderosa é essa, capaz de captar a tentativa de captura proveniente do olhar? Os poetas são incansáveis relatando os prodígios e a beleza do olhar humano, olhos espelhos da alma, os olhos falam… místicos esgotam temas sobre a energia do olhar humano, olho gordo, vibrações positivas do olhar… Mas a ciência ainda não foi seduzida pelo tema, restando apenas a certeza de que só estaremos olhando o outro se estivermos olhando nos seus olhos. Por que? O que exatamente acontece ali? Deve haver um mundo de descobertas nessa linha de energia, talvez um portal para um novo mundo… Um dia a humanidade se interessará por tudo isso e, oxalá vivamos o suficiente para desfrutarmos dessas respostas.(Helena Antoun)
Nenhum comentário:
Postar um comentário