A questão da opção religiosa se dá ultimamente como um cartão de visita, ou melhor, como um crachá de aceitação em determinados meios sociais. Pasmem! Mas ainda encontramos (e muito!) pessoas que selecionam outras de acordo com a opção religiosa. Difícil saber de onde pode surgir tanta prepotência em acreditar que se fez a escolha correta e portanto quem não comunga da mesma opção deva ser alijado de nosso meio. Outro dia eu escutava duas senhoras conversando e fazendo críticas severas, crúeis até, a uma outra pessoa que não se encontrava no local. Acontece que essa pessoa a que ambas criticavam, pertencia ao Candomblé, e por essa razão, sofreu em menos de dez minutos toda a sorte de enxovalhos, inclusive sobre seu caráter. Longe de procurarem saber sobre o que falavam, essas duas senhoras discorreram sobre o Candomblé com tamanha fúria que me vi impelida a procurar entender um pouco sobre o assunto para poder pensar algo em sua defesa. Com isso me vi de frente ao racismo cultural que é uma realidade que acompanha a nossa história, desde os seus primórdios. Estaria mais ligado às diferenças apresentadas por grupos humanos pertencentes a um sistema delimitado geneticamente, e caracterizado por comportamentos sociais, características biológicas, e culturais significativamente diferentes daqueles apresentados dentro de uma sociedade maior. Essas características passam a ser a causa e ao mesmo tempo a justificativa para a diferenciação do grupo em questão e, principalmente, para o surgimento de preconceitos e injustiças.
Confesso que me comovi.
Decidi, então, discutir o Racismo Cultural, discorrendo sobre um dos mais fortes e assustadores de nossa história. A escravidão de negros, e a perseguição feita à sua cultura e, em especial, à sua cultura religiosa.
As religiões africanas sofreram modificações de sua origem, por terem que se inserir em meio escravo. Ali, eram evidentes a miséria e degradação humana, e havia muito pouca esperança de modificação dessa realidade. Sem falar das perseguições que acompanharam seu povo desde um dos mais desumanos e vergonhosos holocaustos praticados até hoje, e que adquiriu um caráter consensual entre as civilizações.
Ao contrário da repugnante ideologia nazista tão repudiada pelas mais diversas representações da humanidade, o regime da escravidão, tido por muitos como natural, foi mantido sob o olhar vigilante, dos que se diziam possuidores de princípios humanitários pautados na ética e na moral.
Eis a mais pura manifestação da “insanidade” humana. O retrato mais claro do ponto de degradação a que pode chegar a humanidade.
Diferente do nazismo que se estabeleceu em decorrência do domínio de um indivíduo psicótico sobre as massas, a escravatura visava auferir benefícios materiais a quem a adotava.
Até hoje nada foi feito para reparar o mal a que se submeteu esse povo que, arrancado de sua terra natal, obrigado viver uma vida de humilhações, mortes e sofrimentos constantes, ainda está a colher os frutos de tão inclassificável empresa.
Se a sociedade é um organismo vivo decerto conheceu na escravatura, um vírus que leva a humanidade à ameaça de autodestrtuição.
Diante disso achei, por bem, que o mínimo que eu poderia fazer por esse povo, era olhar sua religião como uma doutrina santa e merecedora de respeito das demais.
Alguns depoimentos:
Mãe Stella de Oxóssi nos diz:
(http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3e_Stella_de_Ox%C3%B3ssi)
“Daqui prá frente, os filhos de gente de Santo rompem decididamente, com quase cinco séculos de silêncio, imposto desde a chegada das masmorras e pelourinhos, para fazer de sua religião uma só voz. O Candomblé não é uma questão de opinião. É uma realidade religiosa que só pode ser realizada dentro de sua pureza de propósitos”.
Pierre Verger nos diz:
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Fatumbi_Verger)
“O Candomblé sobrevive até hoje, porque não querer convencer às pessoas sobre uma verdade absoluta, ao contrário da maioria das religiões
Eu concluo:
“O Candomblé sobrevive, por ter sido professado por um povo que sobreviveu à escravidão, aos preconceitos raciais, aos preconceitos sociais, e a colonizações desumanas. Como é possível, então, que sua religião também não sobreviva?”
Confesso que me comovi.
Decidi, então, discutir o Racismo Cultural, discorrendo sobre um dos mais fortes e assustadores de nossa história. A escravidão de negros, e a perseguição feita à sua cultura e, em especial, à sua cultura religiosa.
As religiões africanas sofreram modificações de sua origem, por terem que se inserir em meio escravo. Ali, eram evidentes a miséria e degradação humana, e havia muito pouca esperança de modificação dessa realidade. Sem falar das perseguições que acompanharam seu povo desde um dos mais desumanos e vergonhosos holocaustos praticados até hoje, e que adquiriu um caráter consensual entre as civilizações.
Ao contrário da repugnante ideologia nazista tão repudiada pelas mais diversas representações da humanidade, o regime da escravidão, tido por muitos como natural, foi mantido sob o olhar vigilante, dos que se diziam possuidores de princípios humanitários pautados na ética e na moral.
Eis a mais pura manifestação da “insanidade” humana. O retrato mais claro do ponto de degradação a que pode chegar a humanidade.
Diferente do nazismo que se estabeleceu em decorrência do domínio de um indivíduo psicótico sobre as massas, a escravatura visava auferir benefícios materiais a quem a adotava.
Até hoje nada foi feito para reparar o mal a que se submeteu esse povo que, arrancado de sua terra natal, obrigado viver uma vida de humilhações, mortes e sofrimentos constantes, ainda está a colher os frutos de tão inclassificável empresa.
Se a sociedade é um organismo vivo decerto conheceu na escravatura, um vírus que leva a humanidade à ameaça de autodestrtuição.
Diante disso achei, por bem, que o mínimo que eu poderia fazer por esse povo, era olhar sua religião como uma doutrina santa e merecedora de respeito das demais.
Alguns depoimentos:
Mãe Stella de Oxóssi nos diz:
(http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3e_Stella_de_Ox%C3%B3ssi)
“Daqui prá frente, os filhos de gente de Santo rompem decididamente, com quase cinco séculos de silêncio, imposto desde a chegada das masmorras e pelourinhos, para fazer de sua religião uma só voz. O Candomblé não é uma questão de opinião. É uma realidade religiosa que só pode ser realizada dentro de sua pureza de propósitos”.
Pierre Verger nos diz:
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Fatumbi_Verger)
“O Candomblé sobrevive até hoje, porque não querer convencer às pessoas sobre uma verdade absoluta, ao contrário da maioria das religiões
Eu concluo:
“O Candomblé sobrevive, por ter sido professado por um povo que sobreviveu à escravidão, aos preconceitos raciais, aos preconceitos sociais, e a colonizações desumanas. Como é possível, então, que sua religião também não sobreviva?”
Um comentário:
Muito bom esse texto, inteligente e coerente.
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