segunda-feira, 26 de março de 2007

O cupim que consome o Brasil - Helena

“Se o Brasil fosse uma árvore, a esperteza brasileira seria o cupim.”

O péssimo hábito brasileiro de criticar e nada se orgulhar de seus próprios produtos, estende-se de forma flagrante à esfera de nossos dirigentes eleitos. Vivo nos Estados Unidos, e vejo a diferença na postura do povo daqui. Até mesmo os brasileiros que aqui residem acabam por respeitar o direito do outro, a propriedade do outro, ou seja, respeitar os limites de carater e moral tão necessários para que uma sociedade possa avançar. Mesmo não tendo votado no presidente que se encontra no poder, o norte-americano tem o costume saudável de colaborar com as decisões tomadas por esse mesmo presidente (ou governador ou prefeito). Não há sabotagem nem crítica esculhambatória, apenas críticas construtivas, claro com alguma dose de humor às vezes. O norte-americano prioriza a sua própria sociedade, a sua própria nação. Por essa razão, sabotar os planos de dirigentes no poder, é visto como estupidez, leviandade, burrice e outras coisas mais. Aqui, comparam-se pontos negativos de um dirigente, com os pontos negativos de um outro dirigente oponente, e não como se faz no Brasil, onde se comparam os pontos negativos de um com a possibilidade de pontos positivos de um outro canditado que porventura poderia ter sido eleito, ou continuado seu mandato, ou isso ou aquilo. E assim, o brasileiro acaba por comparar realidade com sonhos e com esperanças do que poderia ter sido melhor. É difícil demais julgar corretamente. Nós brasileiros temos o costume de lançarmos mão de uma onipotência, que julgamos possuir, para determinarmos que seria melhor com um ou com outro governante. Fazemos isso quando se trata de governantes, técnicos de futebol, professores, médicos, jurados de festivais, jurados de desfile de escolas de samba e tantos outros. Àqueles que ousam tomar decisões críticas e delicadas em nosso nome, presenteamos com uma chuva de críticas perjorativas, insultos, e até mesmo o caráter de sujeito se torna passível de suspeita. Aqui, na América do Norte, julga-se o presidente pelos resultados, mas sabe-se esperar os resultados, e colabora-se com os meios para se alcançar os resultados. Mas lamentávelmente nós, brasileiros, nunca procuramos saber, com imparcialidade, a que fim pretende chegar um governante, quando este toma uma decisão que não é de nosso agrado.

Qualquer mudança de governo gera momentos difícieis e todos deviam saber disso, principalmente se considerarmos que o anterior nada facilitou para o proximo que virá, e ainda escondeu de seu sucessor a real situação caótica à sua espera. Eu imagino que assuste ser presidente. Muitos acreditaram estar preparados para tal. Acreditaram mesmo! Como nós mesmos também acreditamos ser capazes de tantas coisas. Quando a responsabilidade, de fato e de direito, lhe chegas às mãos, o sujeito percebe o quanto é dificil fazê-lo, ainda mais tratando-se de um país que está, há muito, mergulhado no caos.

É fácil governar um país que já funciona. Um país cujas engrenagens estão devidamente “azeitadas” e deslizam umas nas outras. Mas governar um país que nunca chegou nem perto disso ou de qualquer outro bom funcionamento... Nossa! Isso na minha opinião deve ser quase impossível.

Bom, enfim, de fato fica difícl que algum presidente (dirigente) eleito possa conseguir fazer qualquer tipo de trabalho produtivo ou promissor quando nós, o povo, praticamos, em micro sistema, pequenas concordatas, subornos, velhacarias, apropriações indevidas, tais quais aquelas que se realizam, em macro sistema, nas esferas governamentais.

Ainda que nos fosse trazido um Messias, esse correria o risco de ser contaminado pelo virús da histórica e patética ”Esperteza Brasileira”.

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