terça-feira, 17 de abril de 2007

Desvarios Educacionais - Helena

São tantas as discussões em torno da Educação que muitas vezes quando tentamos discorrer sobre ela, o assunto parece esgotado. À medida em que buscamos inspiração, nos deparamos com o desapontamento, ao ver o que fizemos de nós em decorrência de uma educação alicerçada sobre valores sociais e políticos, em vez de valores humanos.

Os conceitos errôneos de ‘ser’ e de ‘fazer parte’, fizeram do Homem um elemento incapaz de desejar e fazer escolhas, baseado em seus próprios valores. Isso ocorre por ter ele absorvido o ‘comportamento’, o ‘ser’, e o ‘pensar’ que não os seus, mas sim aqueles determinados pela sociedade como sendo os mais adequados e oportunos para o momento. A mídia foi, durante todo esse tempo, a ferramenta utilizada de modo a inculcar idéias ao Homem até que se pudesse moldá-lo.
Fazendo-se analogia com os personagens infantis podemos encontrar:
Popeye e o espinafre; He-mam e a espada; O Homem de Ferro e a armadura; O Capitão América, o escudo; O Batmam, o Bat-cinto, o Bat-carro; Hulk , a raiva – entre tantos outros. Todos nos passando a idéia de que, para ‘sermos’, para ‘conseguirmos’, precisamos ‘ter’, ‘ingerir’, ‘vestir’. É quase impossível encontrar um personagem infantil que não precise lançar mão de algum tipo de artifício-artefato para estar apto a enfrentar o mal. É inadmissível que não existam formas de se obter do ser humano seus próprios valores, fazendo-o investir em si mesmo. Não precisamos de espinafre, nem de cintos, ou escudos, ou fúria. Possuímos armas poderosíssimas: inteligência, desejo e sensibilidade. Será que isso não poderia ser o caminho?
Com isso, desde muito, estabelece-se a idéia de ‘nada ser’ enquanto não se preencher determinados requisitos que sempre variam, e escondem a verdadeira intenção de se exercer poder sobre o desejo do outro.
Não seria possível uma personagem comum que através de valores humanos reais pudesse alcançar objetivos saudáveis para o próprio Homem?
Porque o Visconde de Sabugosa, um sabugo de milho, o mais inteligente? Porque a Emília, uma boneca de pano, a mais esperta? O que pensavam Pedrinho e Narizinho a respeito? Alguém pretendeu perguntar?

O Homem é agora um ser assustado, com medo e, cada vez mais, distante do próprio Homem, buscando em valores ditados, a melhor forma de preparar seus filhos, visto não se sentir capaz para tal. E assim se educou e se vem educando as crianças, sobre valores sociais, políticos e religiosos convenientes para a ocasião. Esse com certeza é um dos motivos que trouxe o Homem à situação em que se encontra. Vê-se hoje, um Homem esmagado pelas mensagens cada vez mais encharcadas de duplo vínculo, que o fragmentam e convencem-no em escala exponencial de que ele não é, e nem será nada: se não...

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