quinta-feira, 12 de abril de 2007

O Dia do Lixo - Helena

Se você passa por uma coisa agradável, por exemplo, todo domingo você vai ao parque - você vai ansiar pelo prazer que te espera. Você nem sente o ciclo do passar do tempo. Mas, por outro lado, toda segunda-feira, o lixeiro passa. Todo domingo à noite, você tem o trabalho de ajeitar o lixo. Quando chega o domingo, está você de novo falando: "Caramba, estou aqui de novo ajeitando o lixo". Essa percepção do tempo é que fragiliza o sujeito: ou ele foge, e aliena, ou ele encara, e deprime. Um simples lixeiro (ninguém sabe, nem mesmo ele) pode trazer a percepção da fugacidade do tempo. Porque, toda segunda-feira, o lixeiro passa, e toda segunda-feira você diz: menos uma semana.

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