sexta-feira, 20 de abril de 2007

O sonho (pesadelo?) Americano – Helena

O, difundido mundialmente, ‘Sonho Americano’ – dorme distraído sobre a cama dura do pesadelo dos imigrantes.
Falta ao povo americano sair do seu mundo de faz-de-conta, e acordar para a realidade que, mundialmente, salta aos olhos de todos, e que aponta para a participação ativa e maciça dos imigrantes, na construção do clássico “sonho americano”.
Por décadas, o império americano vem sendo mantido pela mão-de-obra cosmopolita. Centenas de milhares de imigrantes correm para a América em busca de melhores condições de vida, proporcionadas pelo propagado sonho, sem saberem que são eles os próprios mantenedores deste. A América, através do sistema das leis de imigração, vive uma farsa onde, fingindo não saber, deixa cair migalhas para o cachorrinho que, em expectativa silenciosa, aguarda escondido debaixo da mesa. E dessas migalhas se sustentam os milhões de imigrantes, atraídos pelo aroma, e impulsionados pela fome em busca de alimento. As migalhas são nada mais nada menos do que todo o trabalho desqualificado pelo cidadão americano. Há muito, os trabalhos domésticos (limpeza, jardinagem, serviços de babá, etc), vêm sendo executados por mão-de-obra imigrante. À medida em que essa massa de trabalhadores foi comprovando dedicação e competência, os horizontes foram se ampliando, até chegar aos dias de hoje, em que os mais diversos setores da economia americana têm como componente esse tipo de mão-de-obra. Isso seria pouco, se não acrescentássemos o fato de que cidadãos honrados em seus países de origem, se vêm, para que possam trabalhar, obrigados a lançar mão de expedientes ilegais como documentação e até nomes falsos. Pessoas que querem justamente buscar no trabalho, um meio digno de sobrevivência não podem receber o status de criminoso. Isso seria uma flagrante inversão de valores.
A partir do momento em que o imigrante se estabelece num emprego usando documentação falsa, os recolhimentos de impostos são iniciados. Porém, o trabalhador não pode sequer gozar dos benefícios decorrentes. Com isso a América se beneficia de incontáveis milhões de doláres anuais, que nunca retornam às mãos de quem contribuiu para que se chegasse a esse número.
Será que podemos nomear como criminosos, aqueles que colocam em risco suas vidas para que possam trabalhar? Que visão estrábica é essa onde o trabalho, ou melhor, a busca pelo trabalho duro, é rotulada como crime, enquanto a manutenção desse sistema de exploração vergonhosa, é praticada sob o olhar condescendente de governos, igrejas e autoridades, tida como uma coisa normal e aceitável? Não se coloca uma maçã na frente de um faminto, sem que o submeta à uma escolha injusta: a fome ou o “crime”de roubar a maçã. Acontece que a “maçã” de que falamos, nada mais é do que os trabalhos duros que a América não quer fazer. E entre esses estão até mesmo os cuidados pessoais com os idosos americanos, cuidados maternos com crianças americanas, e cuidados caseiros muitas vezes preparando a comida de inúmeras famílias americanas.
Depois da escravatura, era necessário encontrar um meio de se ter mão-de-obra barata para o país, pois o povo outrora escravizado, lutara por seus direitos, tornando-se mão-de-obra onerosa. Seria então o imigrante que, atraído pela isca do “sonho americano” jogada na midia, iria manter uma forma, legitimada pelo mundo, de exploração do trabalho humano - transformando o “algoz” em “vítima”; o “explorado” em “criminoso”.
Lastimável - Na América, o imigrante não tem acesso (senão pela ilegalidade) a tratamento médico, pois para que se inscreva num seguro saúde, exige-se o número do seguro social, o que só é concedido aos cidadãos americanos. Nos Estados Unidos, o tratamento médico é muito mas muito dispendioso. Uma família imigrante, com seus ganhos somados, não consegue sustentar o tratamento de sequer um dos membros portador de alguma enfermidade grave, ou acidentado, que venha a precisar de tratamento médico-hospitalar, medicação e exames. Com isso, o imigrante vê sua saúde sendo subtraída, seus dentes se perdendo, seu corpo tendo que se adequar às modificacoes impostas pelas enfermidades que possam surgir. Em suma: O imigrante não pode ficar doente, pois precisa trabalhar, e mesmo trabalhando, não tem como pagar o tratamento.
A cultura de uso de produtos descartáveis se alastrou como infecção no organismo da nação americana, chegando à fase aguda, onde, em delirios convulsivos, o país começa acreditar que “vidas também são descartáveis”.

2 comentários:

Paula disse...

Me ajudou a ter algumas idéias críticas sobre o assunto. Obrigada =)

Paula disse...

Me ajudou a ter umas idéias críticas sobre o assunto. obrigada =)